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Carlos Siqueira, primeiro secretário Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB): “o crescimento do PSB é gradativo, contínuo e seletivo”.
Partido Socialista Brasileiro - PSB
29/08/2008
A pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições municipais, data em que milhões de brasileiros irão às urnas em 26 unidades da federação, o primeiro secretário Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Carlos Siqueira, fala sobre o crescimento obtido pela legenda nos últimos quatro anos, sua perspectiva para o resultado das eleições e trata de questões importantes como a reforma urbana e o aumento da participação feminina nos espaços de poder.

Confira a entrevista concedida ao jornalista Gustavo Sousa Jr, do Portal do PSB.

Portal do PSB – O PSB chega às eleições neste ano com 25% candidatos a mais se comparado a 2004, o que faz do Partido um dos que mais cresceram nos últimos quatro anos. A qual fator o senhor atribui essa evolução?

Carlos Siqueira – O crescimento do PSB é gradativo e contínuo. E, ao mesmo tempo, é um crescimento seletivo. Nós temos que admitir que há outros partidos que foram fundados inclusive depois do PSB e que têm número de parlamentares e de prefeitos maior que o nosso. Mas, felizmente, o nosso partido tem essa característica de crescer gradativamente e seletivamente. Nós preferimos assim porque achamos que esse crescimento é significativo mas, ao mesmo tempo, não é feito a qualquer custo. É um crescimento no qual o partido cresce com qualidade, o que lhe dá a consistência política e ideológica capaz de não descaracterizá-lo em um futuro próximo, como acontece com os partidos que crescem e que chegam ao poder.

Em relação às mulheres, o PSB lançou 4.525 candidatas, contra 814 nas eleições passadas. Podemos ver esse crescimento como um marco do Partido no incentivo à presença das mulheres nos espaços de poder?

Não tenho dúvida que no PSB, a sua direção nacional e as direções estaduais e municipais têm incentivado a participação da mulher. Não temos apenas uma quantidade grande de mulheres que participam e que vem aumentando a cada eleição, como demonstra o número citado, mas também temos mulheres com liderança significativa. A bancada na Câmara tem um número representativo de mulheres. Temos lideranças como Luiza Erundina, Sandra Rosado. Lideranças também nos movimentos comunitário, no popular e no movimento sindical. Então esse incentivo à participação das mulheres não se dá apenas nas eleições – embora sejam nelas onde se reflita mais claramente essa política do Partido –, mas em todos os setores onde o PSB atua, a presença das mulheres é, não só significativa, como também bastante eficiente.

Das 26 capitais onde ocorrem eleições neste ano, o PSB tem candidatos em sete, sendo três destas à reeleição. Em outras quatro – incluindo o Rio de Janeiro –, o Partido concorre à vaga de vice. Qual avaliação o senhor faz desse cenário?

Faço uma avaliação positiva, de que o Partido, também nas cidades de médio e grande porte, tem tido presença crescente e tem a perspectiva de eleger pelo menos três ou quatro candidatos nas capitais em que está concorrendo. E em outras capitais, onde não foi possível ter candidato próprio, também tem uma quantidade significativa de vice-prefeitos. Deste modo, o PSB, com a sua política programática, ideológica, tem conquistado uma fatia bastante expressiva em cidades de porte em nosso país. E esperamos que o resultado eleitoral do PSB este ano possa expressar o crescimento gradativo que vem ocorrendo a cada eleição.

Em 2004, o PSB elegeu 177 prefeitos. Qual a expectativa do Partido para este ano?

Nós temos um pouco mais de 900 candidatos a prefeito, mais de 900 a vice-prefeitos e mais de 21 mil candidatos a vereador, de modo que acho que nós devemos sair desses 177 das eleições passadas para algo em torno de 230 a 250 prefeitos pelo menos. E creio que o número de vereadores deva chegar a algo em torno de 4 mil eleitos pelo PSB.

Reunido, o Bloco de Esquerda concentra a maior quantidade de candidatos de todo o país. São mais de 63 mil. O resultado das eleições aponta para o fortalecimento do Bloco nacionalmente?

Quanto ao bloco eu acho que foi uma iniciativa muito importante dos nossos líderes na Câmara e no Senado e que deu resultados interessantes do ponto de vista parlamentar. Mas no que concerne as eleições municipais, nós não percebemos que o Bloco tenha tido possibilidade de sair unido, pelo menos nas principais cidades de médio e grande porte. Mas evidentemente, o número de candidatos somados é muito expressivo e seguramente deverá haver resultado eleitoral também expressivo. Isso vem como um fator positivo e espero que sirva para promover maior unidade entre o Bloco, pois, durante o processo de coligações, essa unidade não foi como se esperava. Na verdade as eleições municipais, com suas características peculiares, não permitiram que a unidade que houve no âmbito nacional se refletisse no âmbito municipal.

As reformas, em particular a urbana, são componentes fundamentais nos programas de governo do PSB. A partir da presença mais ampla do partido nos municípios brasileiros essas reformas realmente poderão ser postas em prática?

A reforma urbana que o PSB defende é uma proposta muito ousada, muito ampla, muito profunda. Porque ela reflete toda a complexidade da maneira como se deu a urbanização no Brasil. Para se levar à prática essa reforma urbana que é defendida como uma bandeira do PSB, o Partido teria que estar ao menos no Ministério das Cidades, com o compromisso do presidente da República em possibilitar a este Ministério a realização desta profunda reforma urbana. Isso não significa dizer que no âmbito dos municípios que o PSB governa não possam fazer ações importantes para melhorar a vida da população. Mas o grande problema da reforma urbana, que é a forma desordenada como foi conduzido o processo de urbanização no Brasil, se concentra nas áreas metropolitanas, nas grandes cidades, e tem sido um fator que contribui significativamente para o aumento enorme da violência nessas cidades e nessas áreas metropolitanas, Isso requer uma ação conjunta do governo federal, dos governos estaduais, municipais e da sociedade, porque é um tema de alta complexidade que não se resolve com ações pontuais. Ou se parte para uma ação conjunta, realmente profunda e bem programada, ou ela não oferece as soluções que se pretende. De qualquer forma, temos que realizar ações pontuais enquanto não é possível ao PSB realizar essa reforma que eu acho que o Brasil tanto necessita.
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